5 min · Actualizado em 23/05/2026
Quishing: o que é e como evitar burlas por QR code
Quishing (QR + phishing) é a versão moderna do phishing em que o link malicioso está escondido dentro de um QR code. Como o utilizador não vê o URL antes de abrir, esta técnica tem crescido rapidamente em Portugal desde 2024, em parquímetros, cartas falsas e estabelecimentos.
Como funciona um ataque de quishing
O atacante gera um QR code que aponta para um site clone (banco, EMEL, Via Verde, Portal das Finanças, CTT) e coloca-o num sítio onde a vítima espera ver um QR legítimo: autocolante sobreposto num parquímetro, carta enviada pelo correio, ementa de restaurante, autocolante num posto de carregamento de carros eléctricos.
Quando a vítima lê o código, abre a página falsa e introduz dados do cartão ou credenciais bancárias. O ataque é particularmente eficaz porque o QR code esconde o URL e porque as pessoas tendem a confiar em códigos impressos em contextos oficiais.
Onde aparecem os QR codes falsos em Portugal
- →Parquímetros EMEL (Lisboa) e similares, com autocolante por cima do oficial.
- →Postos de carregamento de veículos eléctricos (MOBI.E, Galp Electric).
- →Cartas em casa que imitam multas da ANSR, taxas da AT ou avisos dos CTT.
- →Ementas e mesas de restaurantes ou esplanadas.
- →Cartazes em paragens de autocarro, painéis publicitários ou montras.
Sinais de alerta antes de ler um QR code
- →Autocolante visivelmente colado por cima de outro código ou de uma chapa.
- →Bordos do autocolante mal alinhados, papel diferente do resto do equipamento.
- →Carta com QR para pagar valor pequeno e sem possibilidade de pagar por outro canal oficial.
- →QR a apontar para domínio com hífenes ou sufixos invulgares (.click, .top, .shop) em vez de .pt, .gov.pt ou .com oficial.
- →Pedido de dados de cartão para 'pagar uma taxa pequena' (1€ a 5€) sem possibilidade de validar pela app oficial.
Como ler um QR code com segurança
Use a câmara nativa do iPhone ou Android, mostra o URL antes de abrir o link. Leia o endereço com calma e confirme que pertence ao domínio oficial da entidade (ex.: emel.pt, ansr.pt, at.gov.pt, ctt.pt).
Evite apps de leitura de QR de origem desconhecida, algumas abrem o link automaticamente sem mostrar o URL.
Para pagar parques de estacionamento, use sempre as apps oficiais (ePark, Telpark, Via Verde Estacionar) instaladas a partir da App Store ou Play Store.
Cartas falsas com QR code
Estão a circular em Portugal cartas que imitam a Autoridade Tributária, a ANSR ou tribunais, com brasão oficial e QR para pagar multas ou taxas. As entidades oficiais nunca pedem pagamento exclusivamente por QR code.
Confirme sempre no Portal das Finanças, no Portal das Contra-Ordenações Rodoviárias ou pelo Cartão de Cidadão com Chave Móvel Digital. Em caso de dúvida, telefone para o número oficial da entidade (não o que vem na carta).
Perguntas frequentes
- É seguro ler QR codes em restaurantes?
- Geralmente sim, se o QR estiver impresso na ementa ou na mesa e o domínio corresponder ao restaurante. Desconfie de autocolantes soltos ou QR em locais de passagem (entrada, casa de banho).
- Como sei se um QR num parquímetro é falso?
- Os parquímetros EMEL e similares não exigem QR code para pagar, têm app oficial (ePark) e botão físico de Multibanco. Se vir um autocolante recente com QR a apontar para um site, ignore-o.
- Recebi uma carta com QR para pagar multa, é verdadeira?
- Multas reais em Portugal podem ser pagas no Portal das Contra-Ordenações Rodoviárias (portaldascontraordenacoes.mai.gov.pt) ou nos CTT. Nunca pague só por QR sem confirmar no portal oficial com Chave Móvel Digital.
- O que faço se já paguei por um QR code falso?
- Contacte imediatamente o banco para bloquear o cartão e contestar a transacção. Apresente queixa na Polícia Judiciária e comunique ao CNCS através de cncs.gov.pt.