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6 min · Actualizado em 23/05/2026

Como proteger jovens e adolescentes de burlas online

Jovens entre os 10 e os 25 anos estão entre os grupos mais expostos a burlas online em Portugal. Os ataques exploram impulsividade, vergonha e o desejo de pertença, e usam canais (Discord, Roblox, TikTok, jogos móveis) que os pais raramente conhecem em profundidade.

Sextortion: a burla mais grave que afecta jovens

Sextortion é um esquema em que o atacante consegue (ou inventa) imagens íntimas da vítima e exige dinheiro para não as divulgar. Em Portugal, a PJ tem registado um crescimento acentuado, sobretudo a partir de contactos no Instagram, Snapchat e Discord.

O padrão típico: perfil falso jovem do mesmo género (ou oposto), conversa rápida, troca de imagens, ameaça de divulgação a contactos da vítima. Em muitos casos termina em tragédia psicológica.

  • Se acontecer: NÃO pagar. O pagamento só intensifica os pedidos.
  • Bloquear o perfil, fazer captura de ecrã, denunciar à plataforma.
  • Apresentar queixa à Polícia Judiciária (linha alerta de cibercrime: cibercrime@pj.pt).
  • Procurar apoio: APAV (linha 116 006), SOS Voz Amiga, escola.
  • A regra de ouro para pais: o filho tem de saber que pode contar sem ser castigado.

Burlas em jogos online

  • Roblox: troca de Robux falsos, sites que prometem Robux grátis em troca da palavra-passe da conta.
  • Fortnite e CSGO: venda de skins raras fora da plataforma oficial, recebem dinheiro e nunca entregam.
  • Contas Steam, Epic, PSN: phishing por Discord a oferecer prémios em troca de login.
  • Mods piratas com malware que rouba credenciais e cartões guardados.

Influenciadores e cripto no TikTok / Instagram

Jovens de 16 a 25 são alvo principal de esquemas de 'investimento' em criptomoedas promovidos por contas com milhares de seguidores. As promessas seguem o padrão: «100€ tornam-se 5 000€ em 2 semanas», «código privado VIP», «só hoje».

Na realidade são esquemas Ponzi ou pump-and-dump em que os primeiros são pagos com o dinheiro dos últimos. Quase ninguém recupera. Verifique se o intermediário tem registo na CMVM antes de investir um cêntimo.

Como conversar com os jovens (sem perder a relação)

  • Mostrar interesse pelo que jogam e pelas plataformas que usam, antes de impor regras.
  • Combinar limites claros para pagamentos in-app (cartão pré-pago, sem cartão guardado na conta).
  • Activar 2FA por app em todas as contas de jogos, redes sociais e email.
  • Reforçar que partilhar fotos íntimas pode acontecer, e que se acontecer, há ajuda e sem julgamento.
  • Falar de casos reais portugueses, é mais eficaz do que avisos genéricos.

Perguntas frequentes

Devo controlar tudo o que o meu filho faz online?
Controlo total cria desconfiança e empurra o jovem para esconder. Combine controlos parentais técnicos (limite de pagamentos, tempo de ecrã) com conversa aberta. O objectivo é que ele venha contar quando algo correr mal.
O meu filho enviou imagens íntimas e estão a chantageá-lo. O que faço?
Não pagar, não responder, não apagar a conversa (é prova). Bloquear o atacante, denunciar à plataforma, apresentar queixa à Polícia Judiciária. Contactar APAV (116 006) para apoio psicológico. Apoiar emocionalmente o filho sem culpabilizar.
Como sei se um 'investidor' do TikTok é real?
Verifique se está registado como intermediário financeiro na CMVM (cmvm.pt). Se não está, é ilegal e é, quase certamente, burla. Promessas de retorno garantido acima de 5%–10% por ano são incompatíveis com investimento real.

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